Rainha das cidades Hanseáticas por 500 anos, Lübeck cresceu poderosa e próspera tornando-se um grande centro medieval que dominou o comércio nos mares do Norte e Báltico na Idade Média. Durante todos estes séculos, Lübeck conservou a tradição de uma cidade medieval, e hoje modernizou-se de tal modo que, andando por suas ruazinhas no maravilhoso centro histórico, o visitante vê lojas modernas instaladas em prédios magnificamente preservados e restaurados do século XII ao XVIII. Uma combinação perfeita!

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Vistas de Lübeck da torre da Petrikirche

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Holstentor, cartao postal da cidade
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O centro histórico de Lübeck e a Marienkirche

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Lübeck é cercada de água por todos os lados. A ilha da parte antiga da cidade é cercada por rios e canais. Uma típica cidade portuária, mas, mais carismática e cosmopolita.
Fundada em 1143, foi declarada cidade imperial livre em 1226 e permaneceu assim até 1937.
Durante a 2° Guerra Mundial, foi destruída quase que por completo e durante muitos anos, foi reconstruída pelo povo alemão com seriedade e dignidade, como todas as cidades da Alemanha devastadas durante a guerra.
A cidade inteira foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1987, preservando assim sua atmosfera vibrante e mais de 1800 edifícios históricos. Hoje, possui pouco mais de 215 mil habitantes e é a maior cidade do estado de Schleswig-Holstein, ao norte da Alemanha.

Culturalmente, Lübeck é um espetáculo. Tem o título de capital cultural do norte e orgulha-se de ter entre seus moradores, três ganhadores do Prêmio Nobel: Thomas Mann (1871-1955) que ganhou o Nobel de Literatura em 1929; Willy Brandt (1913-1992), ganhador do Nobel da Paz em 1971 e Günther Grass (1927- ), ganhador do Nobel de Literatura em 1999. Thomas Mann e o político Willy Brandt nasceram em Lübeck e Günther Grass, mudou-se para Lübeck em 1968, onde mora até hoje.

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A maravilhosa arquitetura gótica de tijolos no prédio da antiga prefeitura da cidade

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Os museus em Lübeck proporcionam um prazer especial aos seus visitantes. Ao todo são mais de 22 museus esperando por seus visitantes.Museus em Lübeck:

O St. Annen Museum, por exemplo, apresenta uma das coleções mais importantes da Alemanha, o de esculturas religiosas esculpidas na Idade Média. O prédio que abriga este fabuloso museu é um show à parte: construído entre 1502 e 1515 originalmente para ser lar das filhas “solteironas” dos ricos comerciantes de Lübeck, tem uma arquitetura de tirar o fôlego. Este museu é considerado um dos melhores da Alemanha de seu gênero.

Outros interessantes e imperdíveis são o Behnhaus Drägerhaus, duas casas do século XVIII que hoje abriga a galeria de artes de Lübeck com obras do século XIX até o clássico Moderno; o famoso Holstentor, símbolo da cidade, e que foi a principal entrada para a Lübeck medieval. Construído entre 1466 e 1478 e abriga um excelente museu que mostra o “poder do comércio” da cidade  e ensina a seus visitante tudo sobre o comércio e rotas do Norte da Alemanha e como Lübeck se tornou a rainha da Liga Hanseática. Emocionante aula de história.

O lindo e inesquecível TheaterFigurenmuseum, que já mereceu um post só sobre ele; o Buddenbrookhaus, prédio que foi inspiração para Thomas Mann escrever  o épico “Buddenbrook”, que conta a saga de uma rica família de comerciantes de Lübeck por quatro gerações. Hoje este prédio abriga um interessante museu dedicado à família Mann, que viveu ali entre 1841 a 1891. O livro valeu à Mann o Prêmio Nobel de Literatura. Um livro emocionante.

O Günther Grass Haus: é neste espaço que o ganhador do Nobel aparece frequentemente para visitas. Nesta casa, onde Günther Grass morou até 1995, são realizadas palestras e fóruns sobre literatura, leituras de clássicos, e claro, se você tiver a sorte divina de encontrar este formidável autor circulando pelos corredores, que mesmo com a idade avançada é figura presente na casa.

O Willy Brandt Haus, é a casa onde este importante político nasceu em Lübeck e abriga a exposição permanente “A Vida Política do Século XX”.

O maravilhoso Museum für Natur und Umwelt (Museu da Natureza e do Meio-Ambiente), é fascinante!! Apresenta em 3 andares, a história da rica fauna e flora de Lübeck e de todo o estado. O museu tem uma riqueza impressionante de programas educativos, palestras, passeios e programas de férias (a criançada adora), tudo sobre a natureza e como ajudar na sua preservação.

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Prédios antigos, alojam lojas modernas
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Willy Brandt Haus
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Buddenbrookhaus
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Haus der Schiffergesellschaft, a casa da guilda dos marinheiros, de 1535. Dentro abriga um senscional e delicioso restaurante com decoração original. Imperdível!
Interior do restaurante da Haus der Schiffergesellschaft
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Museu de Teatros de Bonecos. o Figurentheater
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O interior maravilhoso da Heiliger-Geist- Hospital, 1286. Hospital e abrigo para idosos que funciona até hoje. Sua construção medieval é a mais bem preservada, deste tipo, da Europa central
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O Burgtor, um dos portões sobreviventes da cidade

Marzipã de Lübeck:

Os visitantes, quando chegam à Lübeck, logo associam a cidade com seus deliciosos e tradicionais marzipãs. E é verdade. Lübeck tem a reputação de ser a cidade do marzipã e a fama se espalhou no começo do século XIX, mas a história do Marzipã de Lübeck vem bem antes, quando, em 1407, os habitantes da cidade estavam passando fome. Não havia mais nenhum outro tipo de grãos, só amêndoas. Os padeiros começaram a produzir somente pães com amêndoas e açúcar. A partir daí, o doce foi mencionado pela primeira vez em registros históricos em 1530 e ficou conhecido em Lübeck pelo nome de Martzapaen.
Em 1786, o confeiteiro Johann Gerhard Maret abriu a primeira loja do doce, seguido por mais algumas dezenas.
A mais famosa fabrica ainda em funcionamento até hoje e fundada em 1804 é a Niederegger que fica em frente a antiga prefeitura da cidade de Lübeck, uma tentação difícil de resistir.
Não deixe de experimentar este delicioso doce acompanhado por uma taça do “Rotspon”, um vinho Bordeaux. Combinação perfeita!

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A Niederegger
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Interior da loja da Niederegger
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Salão de café da Niederegger, servem café e bolos divinos
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Buda feito de marzipã
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Lembranças inesquecíveis da Niederegger e de Lübeck

Lübeck também é conhecida como a cidade das “Sete Torres” que podem ser vistas de longe. São as torres das mais lindas igrejas da Europa.
Pode-se subir na torre da Petrikirche e ter as mais belas vistas da cidade.

A imponente Rathaus, a antiga prefeitura da cidade, foi construída em 1226 e é a prefeitura de tijolos mais antiga da Alemanha. Aliás, as construções em tijolos no norte da Alemanha é o que caracteriza esta região das demais da Alemanha.

O tijolo era um material muito usado em muitas regiões da Europa, mas foi no norte da Alemanha que deu origem a um estilo único chamado Backsteingotik, o conhecido gótico de tijolos. É uma obra de arte. Os tijolos são sobrepostos de um jeito a formar contornos e formas impressionantes.
Este estilo caracterizou uma grande variedade de abóbadas, o uso de contrafortes em vez de arcos de apoio nos prédios e por desenhos maravilhosos feitos em tijolos.
Este estilo de arquitetura foi usado na construção de igrejas, nas belas prefeituras do norte da Alemanha, portões, casas e incríveis mansões. A Marienkirche, de Lübeck é um belo exemplo do gótico de tijolos, que serviu de inspirações para muitas outras igrejas e edifícios.

É muito fácil se locomover pela cidade: as principais atrações turísticas estão na parte antiga da cidade e pode-se fazer tudo a pé.

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Arquitetura gótica de tijolos
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A Marienkirche

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A igreja Petrikirche

 

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Heiliger-Geist-Hospital

A Estátua do Diabo na “Pedra do Diabo”: 

Quem visita a igreja de Marienkirche, em Lübeck se depara com a figura de um diabo sentado em uma grande pedra em uma das laterais da igreja.
Diz a lenda, que quando as primeiras pedras da Marienkirche foram colocadas, o diabo acreditou que a construção seria um grande bar.
Ele gostou da ideia, por que muitas almas veriam até ele depois de irem com frequência neste novo bar.
Então, o diabo se misturou com a multidão e começou a ajudar os trabalhadores.
Não era de se admirar que a construção cresceu incrivelmente rápido.
Um dia, o diabo percebeu o que realmente seria o prédio. Cheio de raiva, ele voou o mais alto que pode e atirou uma enorme pedra em cima das paredes já levantadas da futura igreja. Foi quando, alguém muito corajoso disse: “Pare com isso, Sr. Diabo! Deixe o que já foi construído! Para você, construiremos um bar aqui na vizinhança”! O diabo ficou muito satisfeito com a oferta e deixou cair ao lado da igreja a pedra seguinte que iria atirar na igreja, onde está até hoje com a pequena estátua do diabo em cima. Ainda pode-se ver na pedra as garras do diabo.
O bar do diabo foi construído nos porões da prefeitura da cidade e está lá até hoje onde funciona um maravilhoso restaurante.

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O que foi a Liga Hanseática?

A Liga Hanseática, ou mais conhecida na Alemanha como Hansa, pode ser considerada um dos primeiros exemplos de uma organização entre estados independentes e companhias  que possuíam objetivos em comum, nesse caso o comércio nos mares do Norte e Báltico e também a defesa contra forças externas.

No período em que existiu (séc. XIII ao séc. XVII), a Liga dominava completamente o comércio no norte da Europa e seus membros abrangiam desde Londres até Novgorod (Rússia). Suas mais importantes cidades, no entanto, eram Hamburgo e Lübeck, que era a sede da Liga. Hamburgo e Lübeck inclusive foram as cidades que fundaram um embrião da Liga, com seu acordo realizado em 1241. Com isso, a recém-formada aliança ganhou controle sobre a maior parte do comércio de sal no Norte da Europa, fato que atraiu os olhares das outras cidades.

Colônia se juntou às duas em 1260, assim como diversas cidades escandinavas, depois de um acordo com a já existente Hansa Visby.
A Liga foi oficialmente fundada em 1356, com a realização da primeira Dieta geral da Hansa em Lübeck e ao longo dos anos a Liga foi construindo centros de comércio em inúmeras cidades do norte da Europa.
No seu ápice, mais de 170 cidades eram membros da Hansa. Os principais produtos comercializados por ela eram: madeira, peles, resina, linho, mel, trigo e centeio vindos do leste para Flandres e Inglaterra, com tecidos (e mais tarde produtos manufaturados) fazendo o caminho inverso. Minérios (principalmente cobre e ferro) e arenque vinham da Suécia.

No começo do século XVI a Liga começou a declinar. Causas para isso foram as constantes mudanças geopolíticas da região, que causavam grande instabilidade no comércio, o egoísmo e a rivalidade entre as cidades membros, que começaram a colocar interesses próprios a frente dos da Liga e finalmente, o enfraquecimento dos príncipes alemães e o começo de governos mais centralizados.
Pouco a pouco, os escritórios foram fechando, e no fim do século XVI a Liga tinha implodido, não conseguindo lidar com problemas internos, as reformas políticas e sociais decorrentes da Reforma Protestante, a ascenção dos mercadores ingleses e holandeses e a incursão do Império Otomano às suas rotas de comércio e ao Sacro Império em si.
Apenas 9 membros estavam presentes na última reunião formal em 1669 e apenas três (Hamburgo, Bremen e Lübeck) permaneceram como membros até o fim oficial da Liga, em 1862.
Apesar do colapso da Liga, diversas cidades, como Hamburgo, Bremen e Lübeck  mantém laços com a Liga. Essas 3 cidades inclusive são chamadas oficialmente hoje de “Cidade Livre e Hanseática”.
Em Rostock, até o maior time de futebol da cidade se chama FC Hansa Rostock, uma homenagem ao passado glorioso desta cidade hanseática.

As principais cidades Hanseáticas do norte da Alemanha foram: Lübeck (a líder), Hamburg, Lüneburg, Rostock, Stralsund, Wismar e Bremen.

Texto da Liga Hanseática escrito por Guilherme Arten-Meyer
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