“Fazia uma noite fria em Würzburg. Peter afastou a pesada cortina da pequena janela e espiou para fora: um silêncio o fez estremecer e logo, uma sensação de paz surgiu fazendo-o sorrir, como não o fazia a muito tempo.
O céu estava incrivelmente estrelado e Peter tentou se lembrar da última vez que o vira assim tão lindo. 

Com dificuldade se afastou da janela e sentou-se na antiga poltrona do pai. Apenas uma vela, no canto da sala, iluminava o ambiente. Depois dos últimos ataques aéreos, a luz elétrica não existia mais em toda cidade.

Endireitou a perna ferida sobre um banquinho que ficava ao lado da poltrona. Como era difícil fazer isso. Doía muito e 1 mês no hospital não fora suficiente para a sua recuperação, mas tinha  que voltar para casa. Tudo que importava agora era cuidar de Erica e do bebê. Nada podia acontecer a eles (…).

Sentiu cansaço, mas teria que seguir sua vigilia esta noite (…).
O silêncio o envolveu por completo e Peter foi despertado por um barulho ensurdecedor que já conhecia muito bem. Olhou para o relógio logo acima da lareira que balançava frenéticamente: eram 21h30.

Num salto, esqueceu a perna ferida e correu o mais rápido que pôde pelo estreito corredor até o quarto onde Erica e o bêbe dormiam. Pareciam dois anjos.

Com tristeza acordou a esposa que rápido, envolveu o bebê em seus braços e seguiu o marido até as escadas. 

As sirenes de alerta de bombardeio assustaram o bebê que chorava nos braços da mãe, e a medida que desciam, o teto despencou logo atrás deles.(…)

Com dificuldade, Peter afastava os poucos móveis que ainda sobrara na casa para fazer caminho até a saída. O fogo que se formou no andar de cima, avançava rapidamente em direção à eles(…)

De repente, um buraco se formou no meio da sala separando Peter de Erica.(…)
Peter olhou para os belos olhos da esposa e, forçando um sorriso de conforto, sabia que era a última vez que os via (…)”.

(Trecho do 4° volume do livro A Montanha Mischa, de Angela Arten-Meyer)

O bombardeio em 16 de março de 1945 durou 17 minutos e destruiu 90% da cidade de Würzburg. Parecia que a cidade havia sido apagada da Terra. Mais de 5 mil pessoas morreram, entre elas Peter e sua família.
Sua reconstrução foi lenta e dolorida e a limpeza de todo o entulho foi feita somente por mulheres e crianças, pois os homens estavam presos pelos aliados ou mortos.

Würzburg: torre da antiga prefeitura à esquerda e a Catedral de St. Kilian ao fundo (wikipedia)

 

Reconstruída durante anos, hoje esta bela cidade transpira harmonia. Seu povo é alegre, recebe o turista com um sorriso no rosto. Você se sente em casa!

Restaurantes e cafés, eu não preciso nem dizer: perfeitos!!!

A Alte Mainbrücke, construída entre 1473 a 1543 e reconstruída depois da Segunda Guerra Mundial
Restaurante em Würzburg, às margens do rio Main

Em Würzburg há grandes atrações e passeando por suas ruas, entre seus edifícios históricos, nos sentimos parte da cidade.
Para começar a visitá-la, atravessamos a majestosa Alte Mainbrücke, ponte sobre o rio Main, construída entre os anos de 1473 a 1543, e que depois da guerra foi cuidadosamente reconstruída igual a original. Um trabalho de vários anos. Ali também, há várias estátuas barrocas de santos medindo 4,5 metros de altura cada uma.

Caminhamos agora pela principal rua da cidade e avistamos a torre renascentista da antiga Rathaus da cidade, que foi construída em várias etapas com início no século XIII, ampliada nos séculos XV e XVI. Magnífica.

Logo a frente, a imponente catedral de Würzburg, a Dom St. Kilian, a 4° maior igreja românica da Alemanha. Construída em 1045 em homenagem  a St. Kilian, um monge irlandês, e seus companheiros. Suas lindas torres foram construídas por volta de 1237.
Na parte norte da Catedral está a capela Schönborn, que serviu de túmulo para os príncipes-bispos da Casa de Schönborn. Foi feita pelo famoso arquiteto da época Balthasar Neumann.
Em 1945 a Catedral foi totalmente queimada e a sua reconstrução durou até 1967. Sua forma ficou igual a original.
Seu interior é maravilhosamente decorado com estuques barrocos colocados entre 1966 e 1968.

Catedral de St. Kilian

Pertinho dali está a maravilhosa Neumünster Kirche, basílica românica cuja fachada é de um arenito vermelho impressionante.
Foi construída no século XI, sobre o túmulo de St. Kilian e seus companheiros mortos como missionários em 689.
Depois dos ataques aéreos de 16 de março de 1945, mulheres e crianças que limpavam o local acharam entre os escombros da basílica obras de artes da Idade Média e do período barroco, intactas. Foi uma emoção e tanto!

A impressionante fachada em arenito vermelho da Neumünster
Detalhes das obras de artes da Neumünster

Outra grande atração de Würzburg é a Käppele. Ela está situada no alto de uma colina na parte sudoeste da cidade.
Foi construída entre 1747 e 1750 por Balthasar Neumann e seu interior é ricamente decorado por afrescos maravilhosos.
Para ir até a Käppele subimos por um caminho que, até hoje, é utilizado por peregrinos do mundo inteiro, que vem para Würzburg para conhecer a famosa estátua barroca, encontrada por um pescador em 1650, e que está em uma pequena capela na subida até a Käppele. A ela é atribuída muitos milagres e aparições.

A Käppele
Detalhe do telhado da Käppele
Würzburg vista da Käppele
Käppele
Os lindos afrescos do teto da Käppele

Bürgerspital é uma instituição de caridade fundada em 1319 e que oferecia atendimento a idosos e doentes.
Hoje vivem ali mais de 200 idosos de Würzburg.
Para gerar renda, esta instituição possui uma vinícola, e vinhos de qualidade superior são vendidos ali.
Os visitantes podem provar os diversos tipos de vinhos.
Outro hospital de caridade perto de Bürgerspital é o Juliusspital fundado em 1576.
Além de seus prédios já terem sido parte da Universidade de Medicina de Würburg, o local também já serviu de escola e albergue para os peregrinos.
O prédio é lindo e no seu piso térreo há uma das mais bonitas farmácias em estilo rococó da Alemanha, com mobiliário original de 1760.
Hoje o Juliusspital é uma das maiores fundações de caridade da Alemanha. Ali também funciona uma vinícola.

Placa da Juliusspital para a venda de vinhos
A Juliusspital
Placa em frente a Bürgerspital

A fortaleza Marienberg destaca-se imponente sobre a cidade de Würzburg, cercada por vastos vinhedos.
Ela fazia parte das antigas fortificações celtas no ano 1000 a.C.
Em 707 foi erguida no local uma igreja e depois em 1201 um palácio foi construído ali também. Este palácio serviu de residência para os príncipes-bispos de Würzburg no período de 1253 até 1719, quando os bispos resolveram construir a fabulosa Residenz, no centro da cidade.
O local é magnífico, com sua muralha, torres, pontes e jardins que oferecem uma vista de tirar o fôlego da cidade.
O local abriga importantes museus que merecem uma visita: o Mainfränkichesmuseum mostra uma excelente coleção de obras de artes da Francônia, incluindo as esculturas do mundialmente famoso Tilman Riemenschneider.
O Fürstenbaumuseum conta a história de mais de 1200 anos de Würzburg. Impressionante.

O imponente Marienberg
Entrada para o palácio na Marienberg
Mais uma das entradas para a fortaleza Marienberg e uma ponte
O Palácio e suas muralhas
Torre principal do palácio
O palácio de Marienberg

O Residenz, Patrimônio Cultural da Unesco, é impressionante.
Um passeio pelo seu interior é uma volta ao passado. A sensação é que a qualquer momento, um príncipe-bispo passará displicente ao seu lado.
Totalmente destruído na Segunda Guerra Mundial, muitas de suas salas até hoje estão sendo reformadas. Na entrada destas salas, fotos da destruíção da guerra choca os visitantes.
O Residenz foi saqueado pelas tropas aliadas, e muito dos seus tesouros estão perdidos até hoje.
O Residenz é um local incrível. Ali está o maior afresco do mundo, que enfeita a abóbada da escadaria.

O maravilhoso Residenz e um dos seus belos jardins
Detalhe de uma estátua no jardim do Residenz

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